Pós Sufrágio.
Inútil. É assim que me sinto após um momento no qual sempre me senti muito bem antes. Sempre acordei cedo e feliz nos dias de eleições. Fazia questão de chegar à frente da urna com um sorriso no rosto, votos mais que decorados, orgulhosa e certa de que estava participando da democracia e fazendo valer meu direito de cidadã. Mesmo antes de ter título, ia com meus pais, tentando mudar suas opiniões ultra-direitistas até o último minuto. De vez em quando eu conseguia até ser ouvida. Seguida, nunca...
Mas e daí? Lula demorou 20 anos! Ops, péssimo exemplo! Evitando discussões sobre o resultado desta infeliz citação, o ponto aqui é: não tenho mais opção, não tenho mais esperança. Queria viver no mundo das maravilhas, desistir de ter que lutar, lutar e no final parar, confusa, e ver que lutei contra e a favor de um monte de gente igual, ou quase isso. Confuso? Pois é!
Os que podem fazer algo para mudar não querem, e os que querem não têm forças, são poucos... Ontem, acordei sem saber o que fazer. Quando chegou a hora, entrando no colégio para votar, parei, olhei as listas, ri de alguns nomes que eu não sabia como estavam ainda ali, anotei o que eu achava que prestava, e fui pra fila. Em menos de cinco minutos, eu estava na frente dos botões sem saber qual apertar. Respirei fundo e votei no que representava pra mim a melhor ideologia: um pouco de PSOL, um pouco do que ainda presta do PT.
Me arrependo de não ter dado o meu voto para presidência a Cristovam Buarque, que tem idéias muito atraentes e, na minha opinião, deveria ser ministro da educação quem quer seja o próximo presidente. Segundo turno? Estou pensando em anular. Não quero ser responsável por essa escolha irresponsável, por enquanto. Quem sabe os debates e os acontecimentos dos próximos dias tragam alguma tendência...
E torcer para que os próximos quatro anos sejam bons. E acompanhar, lutar de verdade, cobrar do governo, mesmo de vez em quando achando que é em vão. Enfim, manter acesa aquela chama no fundo do coração, que acredita num país melhor, que quer deixar os filhos verem televisão e brincarem na rua. Quem sabe os netos numa escola pública e cuidando da saúde de graça... Eu nem me importaria em ganhar menos, isso já seria felicidade, sendo de qualidade!

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