sexta-feira, outubro 27, 2006

wonderwoman

Maldita mania de querer estar em tudo, ver tudo, saber e ser tudo! A gente tenta escolher, se dividir, mas às vezes parece que tem que encaixar tanta coisa em 24 horas que dá vontade de chorar! Ou melhor, dá vontade de sumir! Desaparecer pra um jardim enorme, com ar fresco e silêncio... silêncio... fechar os olhos e não pensar em nada! Sim, é possível! O difícil é depois desse momento não cair na loucura de que enquanto você sumiu as coisas aconteceram e você não estava lá. Pior. Deu tudo certo, foi lindo, e VOCÊ NÃO ESTAVA LÁ!
E qual o problema disso? Você não estava lá quando o muro de Berlim caiu, não estava lá pra protestar contra a ditadura, não estava lá quando o homem pisou na Lua, não estava lá... NUNCA. Você não estava lá quando o homem da sua vida nasceu, e nem por isso ele deixou de fazer parte da sua vida. E eu desejo que você não esteja lá quando ele morrer, porque isso vai doer muito. Você não precisa estar em tudo, porque nem tudo precisa de você pra acontecer.
Ou é essa idéia que te assusta? Se é, tenho dó, vive dentro de ti um ditador aprisionado. Uma mulher dominadora e obsessiva que enlouquece com a idéia de não poder controlar e presenciar cada minuto de todas as vidas ao seu redor.
Quando esse tipo de situação te atormentar, tire os sapatos. Deite no chão, feche os olhos e respire fundo. Sinta cada milímetro do seu corpo e perceba que você é uma só. E pare de se incomodar com o fato de você ser indivisível! Ou queria poder mandar a cabeça pra um lugar e o corpo pro outro?

segunda-feira, outubro 09, 2006

decepção

Na verdade nem sei se ainda posso chamar de decepção o que me causam os políticos. Já não espero muita coisa. Mas ainda assim a cidadã dentro de mim queria alguma motivação para fazer algo além de anular o voto no próximo dia 29.
O debate de ontem foi nada menos que ridículo! Geraldo agredindo Luis Inácio, que fazia cara de indignação mas também não se defendia à altura. Agredia com as pedras que tinha nas mãos, e assim foi. Nada de propostas concretas por parte do PSDB, poucas do PT. Nem quando incentivados pelas ótimas perguntas dos jornalistas, que desperdiçaram seu tempo preparando-as, os dois combatentes saíam da mesmice de: "foi ele quem destruiu o país", ou "você é corrupto", "você não sabe administrar", "mentiroso", "tartaruga", e outras alfinetadas. Uma pena que uma oportunidade de atingir o eleitor como o debate seja utilizada pelos candidatos como um espaço para propaganda apelativa, para guerrilha.
Desse jeito, o brasileiro continua sem saber o que cada um tem em mente para o país... Mas é claro que sempre podemos gastar um pouco de tempo lendo a revista Época dessa semana, certamente isenta, e conhecer o lado tucano da campanha... O de Lula, procurem no Google!Faça-me o favor!!!!!

segunda-feira, outubro 02, 2006

Pós Sufrágio.

Inútil. É assim que me sinto após um momento no qual sempre me senti muito bem antes. Sempre acordei cedo e feliz nos dias de eleições. Fazia questão de chegar à frente da urna com um sorriso no rosto, votos mais que decorados, orgulhosa e certa de que estava participando da democracia e fazendo valer meu direito de cidadã. Mesmo antes de ter título, ia com meus pais, tentando mudar suas opiniões ultra-direitistas até o último minuto. De vez em quando eu conseguia até ser ouvida. Seguida, nunca...
Mas e daí? Lula demorou 20 anos! Ops, péssimo exemplo! Evitando discussões sobre o resultado desta infeliz citação, o ponto aqui é: não tenho mais opção, não tenho mais esperança. Queria viver no mundo das maravilhas, desistir de ter que lutar, lutar e no final parar, confusa, e ver que lutei contra e a favor de um monte de gente igual, ou quase isso. Confuso? Pois é!
Os que podem fazer algo para mudar não querem, e os que querem não têm forças, são poucos... Ontem, acordei sem saber o que fazer. Quando chegou a hora, entrando no colégio para votar, parei, olhei as listas, ri de alguns nomes que eu não sabia como estavam ainda ali, anotei o que eu achava que prestava, e fui pra fila. Em menos de cinco minutos, eu estava na frente dos botões sem saber qual apertar. Respirei fundo e votei no que representava pra mim a melhor ideologia: um pouco de PSOL, um pouco do que ainda presta do PT.
Me arrependo de não ter dado o meu voto para presidência a Cristovam Buarque, que tem idéias muito atraentes e, na minha opinião, deveria ser ministro da educação quem quer seja o próximo presidente. Segundo turno? Estou pensando em anular. Não quero ser responsável por essa escolha irresponsável, por enquanto. Quem sabe os debates e os acontecimentos dos próximos dias tragam alguma tendência...
E torcer para que os próximos quatro anos sejam bons. E acompanhar, lutar de verdade, cobrar do governo, mesmo de vez em quando achando que é em vão. Enfim, manter acesa aquela chama no fundo do coração, que acredita num país melhor, que quer deixar os filhos verem televisão e brincarem na rua. Quem sabe os netos numa escola pública e cuidando da saúde de graça... Eu nem me importaria em ganhar menos, isso já seria felicidade, sendo de qualidade!