Terminal
Quando o ser humano se torna incapaz de ajudar as pessoas espontaneamente? Sentada no escritório da Polícia Federal da Alemanha, aeroporto de Frankfurt. A moça à minha frente chora desesperada, como eu há umas horas, e eu não canso de perguntar com os olhos: precisa de algo?
Estou no aeroporto há 7 horas e meia. Quando desci do ônibus no terminal percebi que não tinha meu passaporte. Algumas horas depois, nem polícia nem Lufthansa ajudaram (as outras tarefas pareciam mais fáceis, divertidas e bem remuneradas) e o avião em que poderia estar meu passaporte partiu para Delhi. O que eu embarcaria em seguida já deveria estar pousando em Estocolmo. Eu, sempre chorando, entre visitas à polícia e à Lufthansa e ligações às embaixadas e à família. A esperança de achar meu passaporte ou alguma outra solução diferente de comprar a passagem de volta para o Brasil já virava as costas para meus olhos vermelhos...
Acho que é a quinta vez que eu subo ao escritório da Polícia Federal. Agora, depois de duas trocas de turno, finalmente alguém com boa vontade me atende: “Sim, podemos te ajudar! Preciso ligar pra Estocolmo pra confirmar que você tem visto. Dê-me duas fotos, 25 euros e 30 minutos.” Fácil, não? Em pouco tempo, BO feito, permissão para viagem na mão e passagem remarcada.
Vou para Estocolmo começar outra jornada: achar um lugar para dormir hoje e correr atrás de passaporte e visto amanhã. Trabalho e prova na faculdade, únicos motivos por que não fiquei mais tempo no Brasil, provavelmente vão perder para o meu cansaço. Hoje senti de verdade o transtorno que uma falta de atenção minha somada a más intenções (ou ausência das boas) de outras pessoas pode causar...
Perdi minhas primeiras recordações de viagem e não sei o que me aguarda. Lição para a viagem de dois meses que vem por aí. Primeira tarefa: comprar uma pochete (?), bem brega mesmo, que mantenha todas as coisas importantes coladas ao meu corpo. É, pai, a cada dia que passa aprendo que tenho que te ouvir mais!
A moça não quis me contar qual era o problema, continuou chorando. Quem sabe quando a vermelhidão apagar o verde de seus olhos alguém resolva ajudar...
Estou no aeroporto há 7 horas e meia. Quando desci do ônibus no terminal percebi que não tinha meu passaporte. Algumas horas depois, nem polícia nem Lufthansa ajudaram (as outras tarefas pareciam mais fáceis, divertidas e bem remuneradas) e o avião em que poderia estar meu passaporte partiu para Delhi. O que eu embarcaria em seguida já deveria estar pousando em Estocolmo. Eu, sempre chorando, entre visitas à polícia e à Lufthansa e ligações às embaixadas e à família. A esperança de achar meu passaporte ou alguma outra solução diferente de comprar a passagem de volta para o Brasil já virava as costas para meus olhos vermelhos...
Acho que é a quinta vez que eu subo ao escritório da Polícia Federal. Agora, depois de duas trocas de turno, finalmente alguém com boa vontade me atende: “Sim, podemos te ajudar! Preciso ligar pra Estocolmo pra confirmar que você tem visto. Dê-me duas fotos, 25 euros e 30 minutos.” Fácil, não? Em pouco tempo, BO feito, permissão para viagem na mão e passagem remarcada.
Vou para Estocolmo começar outra jornada: achar um lugar para dormir hoje e correr atrás de passaporte e visto amanhã. Trabalho e prova na faculdade, únicos motivos por que não fiquei mais tempo no Brasil, provavelmente vão perder para o meu cansaço. Hoje senti de verdade o transtorno que uma falta de atenção minha somada a más intenções (ou ausência das boas) de outras pessoas pode causar...
Perdi minhas primeiras recordações de viagem e não sei o que me aguarda. Lição para a viagem de dois meses que vem por aí. Primeira tarefa: comprar uma pochete (?), bem brega mesmo, que mantenha todas as coisas importantes coladas ao meu corpo. É, pai, a cada dia que passa aprendo que tenho que te ouvir mais!
A moça não quis me contar qual era o problema, continuou chorando. Quem sabe quando a vermelhidão apagar o verde de seus olhos alguém resolva ajudar...

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